sexta-feira, 29 de maio de 2009
TITULOS DA EDIÇÃO DE JUNHO
JORNAL FOLCLORE
Rua Capelo e Ivens, 63 - 2000-039– SANTARÉM
Apartado 518 - 2000–906 SANTARÉM – E-mail: jornalfolclore@gmail.com
Telefone e Fax: 243 599 429 – TM 919126732
Bem-vindo ao Jornal Folclore on-line
A S S I N E
Subscreva a assinatura enviando o pedido ao
Apartado 518 – 2000-906 SANTARÉM
ou e-mail: jornalfolclore@gmail.com
Europa: 17,50 € * Europa: 20,00 € * Fora da Europa¨25,00 €
EDIÇÃO N.º 160 (JUNHO 2009)
Nota Editorial
Esquecer a tradição…
A televisão, num apontamento de reportagem, exaltava num programa matinal o sentimento das raparigas de Miranda do Douro por “ousarem representar”, citamos, a popularizada ‘dança guerreira’, conhecida como ‘Dança dos Pauliteiros’. Alegava-se que os rapazes descuram a prática tradicional, e vai daí as graciosas moçoilas de Miranda – quais mulheres das tropas greco-romanas… – arregaçaram as mangas, envergaram as vestes guerreiras (?) e de paus em riste, foram à luta, que é como quem diz: à dança de combate.
A popular dança mirandesa dos paulitos terá origem na dança pírrica dos Gregos. Os dançadores simulam o ataque e a defesa na batalha. A representação figurada de actos guerreiros é assim encaminhada para um desempenho estritamente masculino, se quisermos levar à risca a retratação da tradição mirandesa, de tempos seculares. A figuração apresentada pelos grupos tradicionais de Pauliteiros, vem do tempo em que o povo da região transmontana criou a mítica dança – ou a aculturou – exigindo que o seu desempenho seja coisa de homens. Ou a tradição já não é o que era…
A prática que agora grupos de mulheres estão a incrementar, não terá nada do folclore que as gentes transmontanas criaram de forma anónima e que veio a arreigar-se de jeito tão apaixonado entre as comunidades de várias zonas do Planalto Mirandês e não só.
No apontamento televiso, apelava-se a que se “esquecesse a tradição” e se desse ao sexo feminino a prática da dança exclusiva dos homens. Um apelo legítimo pelo direito à recreação, ao divertimento e ao convívio. Mas a representação do folclore acaba aqui. Não chamemos a essas formações grupos tradicionais ou etnográficos, porque não estão de acordo com a génese da criação popular – o facto folclórico.
EDITORIAL
Aí estão os Festivais
Calcula-se que cerca de mil e quinhentos Festivais de Folclore irão animar os fins-de-semana de Maio a Setembro. Julho e Agosto há muito deixaram de ser os meses exclusivos para receberem as programações folclóricas, por razões que se prendem com a falta de disponibilidade dos grupos mais representativos, e também pelo direito a férias dos cooperantes nos meses especiais de estio. Junho e Setembro já se inundam de Festivais, e nalguns casos os meses Março e Abril, e mais tarde de Outubro já recebem muitas realizações, quando existem as alternativas que permitam que o Festival se desenrole em recintos cobertos. Temos assim um já curto período do ano que o movimento folclórico se aquieta nas suas representações cantadas e bailadas, contrariamente ao que se verificava anos atrás. Pelo Norte do País é conhecida uma intensa actividade dos grupos nos meses de Dezembro e Janeiro, recriando e fazendo reviver o folclore religioso do ciclo natalício e o cantar das Janeiras. Uma tradição não arreigada em boa parte do centro e do sul do País. O tradicional costume até já tem honras de espectáculo encenado, mostrando-se nos palcos de sumptuosas salas ou de simples instalações associativas.
Abrimos então os braços à nova época dos Festivais. Alheios a crises sociais e económicas, porque nestas coisas do folclore, tudo anda à volta da carolice, mesmo que haja encargos com a cortesia de oferecer a refeição aos grupos convidados.
DESTAQUES
Espaço vivo de memórias e tradições. Centro de Documentação e Estudos Etnográficos inaugurado na Glória do Ribatejo
Manuel João Barbosa
“Havia ali [na Glória do Ribatejo] um filão etnográfico a explorar”, escreveu Alves Redol em 1938 quando divagou por terras glorianas, e onde permaneceu longa temporada, para escrever a sua tão popularizada obra “Glória, uma Aldeia do Ribatejo”. Com efeito, a Glória – hoje uma das mais prósperas Freguesias do concelho de Salvaterra de Magos – sempre se distinguiu por uma peculiar atitude cultural das suas gentes. Talvez por isso o escritor terá denominado a pacata aldeiazinha de montado de então, como “uma ilha dentro do Ribatejo”.
“Não conheço em todo o Ribatejo percorrido, outra aldeia que irradie mais simpatia por atributo próprio”. Invocamos uma vez mais Alves Redol, que descrevia assim o sentimento que o assolou quando se “hospedou” no pacato lugar da charneca do Ribatejo, plantado entre rico e vasto montado, que espera a machada para, em cada nove anos, oferecer a cortiça.
De forma reiterada temos, nestas páginas, dado a conhecer costumes e hábitos peculiares que diferenciam a cultura gloriana de um outro qualquer recanto do País.
O Folclore do Ribatejo quer apagar o esteriótipo da ‘saia encarnada’
Manuel João Barbosa
Longe vai o tempo em que as vermelhas saias da indumentária das bailadoras dos ranchos do Ribatejo cunhavam a marca dum folclore ilusório da Lezíria – e não só – como o ex-libris do traje da Borda d’Água. A realidade da peça do vestuário feminino tradicional era, contudo, bem diferente daquilo que inúmeras formações queriam fazer ver. A investigação mais recente veio provar alguma contradição no uso quase maciço da garrida saia pelos grupos folclóricos. Afinal, outras matizes eram tão ou mais frequentes nos tecidos, que não só o vermelho. Generalizou-se então a saia encarnada entre os ranchos que se foram formando, copiando o pitoresco exibido por outros, contrariando a realidade etnográfica das respectivas zonas de inserção. O esteriótipo estava criado.
Durante décadas inúmeros grupos da região do Ribatejo espalharam a colorida imagem “etnográfica” da indumentária tradicional feminina, exaltando o alegórico traje – saia vermelha e blusa branca. Vestidas de forma uniformizada, a cor rubra sobressaía no palco da representação, apoiada sempre por uma apurada técnica de execução das danças. As plateias aplaudiam frenéticamente o bonitinho que as encarnadas saias e o sincronismo da execução bailada ofereciam.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Reportagens
Feira Rural Portuguesa recebeu milhares de visitantes. Velhos costumes na Feira rural em Arcozelo
Manuel João Barbosa
A recriação e velhos hábitos de outros tempos, que permitiam trocar por alguns dinheiros os produtos da horta, do fumeiro ou da arte de uma qualquer bordadeira, passaram uma vez mais pelo Parque Santa Maria Adelaide, na popularizada vila de Arcozelo (Vila Nova de Gaia), tão conhecida por factos religiosos ligados ao aparecimento do corpo incorrupto de Maria Adelaide. A iniciativa da Federação do Folclore Português reuniu centenas de vendedores, figurando a tradição retratada por cerca de setenta grupos folclóricos, e recebeu a visita de milhares de visitantes.
A Feira Rural que a Federação do Folclore Português promove desde há 14 anos, levou ao aprazível Parque da conhecida vila de Arcozelo (Vila Nova de Gaia), dezenas de retratos vivos de hábitos de outrora, quando as gentes rurais procuravam, no marcado do largo da aldeia, angariar proventos para a sua sobrevivência, trocando por alguns réis os produtos cultivados nos hortejos ou os enchidos de carne do suíno criado no chiqueiro do quintal. (…)
(Desenvolvimento na edição impressa)
Peregrinação de ranchos e grupos folclóricos. Dois mil trajes do folclore nacional matizaram o Santuário de Fátima
Manuel João Barbosa
Cerca de duas centenas de grupos e ranchos folclóricos mostraram em Fátima aproximadamente dois mil trajes das suas representações etnográficas. O Santuário recebeu a VII peregrinação do movimento folclórico nacional, uma iniciativa da Federação do Folclore Português, que conta com o apoio da Reitoria do Santuário. As vestes, simples ou mais elaboradas da tradição portuguesa, coloriram o espaço sagrado,
Grande parte dos grupos folclóricos federados respondeu afirmativamente à chamada da Federação do Folclore Português (FFP), participando em mais uma grande manifestação de representação e de Fé, integrando a peregrinação do folclore nacional a Fátima. A iniciativa, que tem merecido o melhor apoio da Reitoria do Santuário, tem sido extraordinariamente bem acolhida pelos grupos e ranchos de folclore, comparecendo de forma numerosa em representação do movimento folclórico. No dia 26 de Abril estariam no Santuário a cerca de dois mil trajes regionais. (…)
(Desenvolvimento na edição impressa)
Oitocentos trajes tradicionais do País mostraram-se ao vivo em Tomar
Manuel João Barbosa
Mais de uma centena de regiões etnográficas do País, representadas por outros tantos grupos e ranchos de folclore, fizeram-se representar na XV Exposição Nacional do Trajo ao Vivo, que a Federação do Folclore Português organizou e levou à cidade de Tomar, constituindo um painel representativo da etnografia nacional, no respeitante a trajes tradicionais. Foram cerca de oitocentos os figurantes que exibiram de forma distinta os trajes de outras épocas, em representação das suas regiões. Muito público assistiu ao maravilhoso desfile, encantando-se com o admirável cortejo das vestes tradicionais.
Foram muitos os nabantinos que no dia 16 de Maio se extasiaram com o desfile de trajes tradicionais, outrora usados nas mais diversificadas regiões do País, e levados à cidade de Tomar, numa organização da Federação do Folclore Português, concretizando assim a sua XV Exposição Nacional do Trajo ao Vivo. (…)
(Desenvolvimento na edição impressa)
NOTÍCIAS
- Grupo de Folclore da Casa de Portugal em Andorra celebra 13 anos com Festival Ibérico
- Rancho “Os Camponeses da Beira-Ria”, de Murtosa, comemorou o 30.º aniversário
- Rancho Folclórico do Cartaxo e Câmara Municipal assinam protocolo para concluir nova sede
- Grupo Folclórico da Corredoura esteve em França
- Feira tradicional em Tendais
- ‘Danças do Mundo’ – Festival Internacional de Folclore nas Terras da Feira entre 15 e 27 de Julho
- Faleceu Rui Aguiar, dirigente do Cancioneiro de Águeda
- Azambuja: Rancho de Vale do Paraíso com sede nova
- Coruche: Rancho “Os Camponeses” de Santana do Mato comemorou as Bodas de Ouro
- Grupo Folclórico de Castelo do Neiva comemorou aniversário com tarde de Folclore
- Grupo da Casa do Povo de Ceira comemorou 47.º aniversário
- Grupo da Casa do Povo de Santa Cruz do Bispo festejou 56 anos
- Rancho Folclórico de Canidelo vai assinalar o 30.º aniversário
- Folclore no 75.º aniversário da Casa do Povo de Vialonga
- Grupo Folclórico de Faro prepara comemoração do 79.º aniversário
- Camponeses do Mondego comemoraram aniversário
- Rancho da Casa do Povo de Aveiras de Cima distinguido em Palma de Maiorca
- “As Tecedeiras” de Bidoeira de Cima na Suíça
- Preito de honra e mérito do Rancho de Torredeita para Arcides Batista Simões
- Etnográfico Danças e Cantares do Minho ofereceu mais um Festival à cidade de Lisboa
- Folclore de qualidade no Festival no Bairro dos Arneiros, Caldas da Rainha
- “Sabores da Glória” levaram à mesa comeres dos casamentos
OPINIÃO
Folclore recreativo, histórico e cultural. Por Bertino Coelho Martins
SECÇÕES
* Esfinge - Sombrias perspectivas! Por Dr. Aurélio Lopes
* PORQUE NÃO TE CALAS?
*FOI NOTÍCIA… HÁ 13 ANOS
FESTIVAIS
Realizações no mês de Junho
NOVOS CORPOS GERENTES
Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores
CARTAS AO DIRECTOR
Peregrinação Nacional dos Ranchos Folclóricos
Rua Capelo e Ivens, 63 - 2000-039– SANTARÉM
Apartado 518 - 2000–906 SANTARÉM – E-mail: jornalfolclore@gmail.com
Telefone e Fax: 243 599 429 – TM 919126732
Bem-vindo ao Jornal Folclore on-line
A S S I N E
Subscreva a assinatura enviando o pedido ao
Apartado 518 – 2000-906 SANTARÉM
ou e-mail: jornalfolclore@gmail.com
Europa: 17,50 € * Europa: 20,00 € * Fora da Europa¨25,00 €
EDIÇÃO N.º 160 (JUNHO 2009)
Nota Editorial
Esquecer a tradição…
A televisão, num apontamento de reportagem, exaltava num programa matinal o sentimento das raparigas de Miranda do Douro por “ousarem representar”, citamos, a popularizada ‘dança guerreira’, conhecida como ‘Dança dos Pauliteiros’. Alegava-se que os rapazes descuram a prática tradicional, e vai daí as graciosas moçoilas de Miranda – quais mulheres das tropas greco-romanas… – arregaçaram as mangas, envergaram as vestes guerreiras (?) e de paus em riste, foram à luta, que é como quem diz: à dança de combate.
A popular dança mirandesa dos paulitos terá origem na dança pírrica dos Gregos. Os dançadores simulam o ataque e a defesa na batalha. A representação figurada de actos guerreiros é assim encaminhada para um desempenho estritamente masculino, se quisermos levar à risca a retratação da tradição mirandesa, de tempos seculares. A figuração apresentada pelos grupos tradicionais de Pauliteiros, vem do tempo em que o povo da região transmontana criou a mítica dança – ou a aculturou – exigindo que o seu desempenho seja coisa de homens. Ou a tradição já não é o que era…
A prática que agora grupos de mulheres estão a incrementar, não terá nada do folclore que as gentes transmontanas criaram de forma anónima e que veio a arreigar-se de jeito tão apaixonado entre as comunidades de várias zonas do Planalto Mirandês e não só.
No apontamento televiso, apelava-se a que se “esquecesse a tradição” e se desse ao sexo feminino a prática da dança exclusiva dos homens. Um apelo legítimo pelo direito à recreação, ao divertimento e ao convívio. Mas a representação do folclore acaba aqui. Não chamemos a essas formações grupos tradicionais ou etnográficos, porque não estão de acordo com a génese da criação popular – o facto folclórico.
EDITORIAL
Aí estão os Festivais
Calcula-se que cerca de mil e quinhentos Festivais de Folclore irão animar os fins-de-semana de Maio a Setembro. Julho e Agosto há muito deixaram de ser os meses exclusivos para receberem as programações folclóricas, por razões que se prendem com a falta de disponibilidade dos grupos mais representativos, e também pelo direito a férias dos cooperantes nos meses especiais de estio. Junho e Setembro já se inundam de Festivais, e nalguns casos os meses Março e Abril, e mais tarde de Outubro já recebem muitas realizações, quando existem as alternativas que permitam que o Festival se desenrole em recintos cobertos. Temos assim um já curto período do ano que o movimento folclórico se aquieta nas suas representações cantadas e bailadas, contrariamente ao que se verificava anos atrás. Pelo Norte do País é conhecida uma intensa actividade dos grupos nos meses de Dezembro e Janeiro, recriando e fazendo reviver o folclore religioso do ciclo natalício e o cantar das Janeiras. Uma tradição não arreigada em boa parte do centro e do sul do País. O tradicional costume até já tem honras de espectáculo encenado, mostrando-se nos palcos de sumptuosas salas ou de simples instalações associativas.
Abrimos então os braços à nova época dos Festivais. Alheios a crises sociais e económicas, porque nestas coisas do folclore, tudo anda à volta da carolice, mesmo que haja encargos com a cortesia de oferecer a refeição aos grupos convidados.
DESTAQUES
Espaço vivo de memórias e tradições. Centro de Documentação e Estudos Etnográficos inaugurado na Glória do Ribatejo
Manuel João Barbosa
“Havia ali [na Glória do Ribatejo] um filão etnográfico a explorar”, escreveu Alves Redol em 1938 quando divagou por terras glorianas, e onde permaneceu longa temporada, para escrever a sua tão popularizada obra “Glória, uma Aldeia do Ribatejo”. Com efeito, a Glória – hoje uma das mais prósperas Freguesias do concelho de Salvaterra de Magos – sempre se distinguiu por uma peculiar atitude cultural das suas gentes. Talvez por isso o escritor terá denominado a pacata aldeiazinha de montado de então, como “uma ilha dentro do Ribatejo”.
“Não conheço em todo o Ribatejo percorrido, outra aldeia que irradie mais simpatia por atributo próprio”. Invocamos uma vez mais Alves Redol, que descrevia assim o sentimento que o assolou quando se “hospedou” no pacato lugar da charneca do Ribatejo, plantado entre rico e vasto montado, que espera a machada para, em cada nove anos, oferecer a cortiça.
De forma reiterada temos, nestas páginas, dado a conhecer costumes e hábitos peculiares que diferenciam a cultura gloriana de um outro qualquer recanto do País.
O Folclore do Ribatejo quer apagar o esteriótipo da ‘saia encarnada’
Manuel João Barbosa
Longe vai o tempo em que as vermelhas saias da indumentária das bailadoras dos ranchos do Ribatejo cunhavam a marca dum folclore ilusório da Lezíria – e não só – como o ex-libris do traje da Borda d’Água. A realidade da peça do vestuário feminino tradicional era, contudo, bem diferente daquilo que inúmeras formações queriam fazer ver. A investigação mais recente veio provar alguma contradição no uso quase maciço da garrida saia pelos grupos folclóricos. Afinal, outras matizes eram tão ou mais frequentes nos tecidos, que não só o vermelho. Generalizou-se então a saia encarnada entre os ranchos que se foram formando, copiando o pitoresco exibido por outros, contrariando a realidade etnográfica das respectivas zonas de inserção. O esteriótipo estava criado.
Durante décadas inúmeros grupos da região do Ribatejo espalharam a colorida imagem “etnográfica” da indumentária tradicional feminina, exaltando o alegórico traje – saia vermelha e blusa branca. Vestidas de forma uniformizada, a cor rubra sobressaía no palco da representação, apoiada sempre por uma apurada técnica de execução das danças. As plateias aplaudiam frenéticamente o bonitinho que as encarnadas saias e o sincronismo da execução bailada ofereciam.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Reportagens
Feira Rural Portuguesa recebeu milhares de visitantes. Velhos costumes na Feira rural em Arcozelo
Manuel João Barbosa
A recriação e velhos hábitos de outros tempos, que permitiam trocar por alguns dinheiros os produtos da horta, do fumeiro ou da arte de uma qualquer bordadeira, passaram uma vez mais pelo Parque Santa Maria Adelaide, na popularizada vila de Arcozelo (Vila Nova de Gaia), tão conhecida por factos religiosos ligados ao aparecimento do corpo incorrupto de Maria Adelaide. A iniciativa da Federação do Folclore Português reuniu centenas de vendedores, figurando a tradição retratada por cerca de setenta grupos folclóricos, e recebeu a visita de milhares de visitantes.
A Feira Rural que a Federação do Folclore Português promove desde há 14 anos, levou ao aprazível Parque da conhecida vila de Arcozelo (Vila Nova de Gaia), dezenas de retratos vivos de hábitos de outrora, quando as gentes rurais procuravam, no marcado do largo da aldeia, angariar proventos para a sua sobrevivência, trocando por alguns réis os produtos cultivados nos hortejos ou os enchidos de carne do suíno criado no chiqueiro do quintal. (…)
(Desenvolvimento na edição impressa)
Peregrinação de ranchos e grupos folclóricos. Dois mil trajes do folclore nacional matizaram o Santuário de Fátima
Manuel João Barbosa
Cerca de duas centenas de grupos e ranchos folclóricos mostraram em Fátima aproximadamente dois mil trajes das suas representações etnográficas. O Santuário recebeu a VII peregrinação do movimento folclórico nacional, uma iniciativa da Federação do Folclore Português, que conta com o apoio da Reitoria do Santuário. As vestes, simples ou mais elaboradas da tradição portuguesa, coloriram o espaço sagrado,
Grande parte dos grupos folclóricos federados respondeu afirmativamente à chamada da Federação do Folclore Português (FFP), participando em mais uma grande manifestação de representação e de Fé, integrando a peregrinação do folclore nacional a Fátima. A iniciativa, que tem merecido o melhor apoio da Reitoria do Santuário, tem sido extraordinariamente bem acolhida pelos grupos e ranchos de folclore, comparecendo de forma numerosa em representação do movimento folclórico. No dia 26 de Abril estariam no Santuário a cerca de dois mil trajes regionais. (…)
(Desenvolvimento na edição impressa)
Oitocentos trajes tradicionais do País mostraram-se ao vivo em Tomar
Manuel João Barbosa
Mais de uma centena de regiões etnográficas do País, representadas por outros tantos grupos e ranchos de folclore, fizeram-se representar na XV Exposição Nacional do Trajo ao Vivo, que a Federação do Folclore Português organizou e levou à cidade de Tomar, constituindo um painel representativo da etnografia nacional, no respeitante a trajes tradicionais. Foram cerca de oitocentos os figurantes que exibiram de forma distinta os trajes de outras épocas, em representação das suas regiões. Muito público assistiu ao maravilhoso desfile, encantando-se com o admirável cortejo das vestes tradicionais.
Foram muitos os nabantinos que no dia 16 de Maio se extasiaram com o desfile de trajes tradicionais, outrora usados nas mais diversificadas regiões do País, e levados à cidade de Tomar, numa organização da Federação do Folclore Português, concretizando assim a sua XV Exposição Nacional do Trajo ao Vivo. (…)
(Desenvolvimento na edição impressa)
NOTÍCIAS
- Grupo de Folclore da Casa de Portugal em Andorra celebra 13 anos com Festival Ibérico
- Rancho “Os Camponeses da Beira-Ria”, de Murtosa, comemorou o 30.º aniversário
- Rancho Folclórico do Cartaxo e Câmara Municipal assinam protocolo para concluir nova sede
- Grupo Folclórico da Corredoura esteve em França
- Feira tradicional em Tendais
- ‘Danças do Mundo’ – Festival Internacional de Folclore nas Terras da Feira entre 15 e 27 de Julho
- Faleceu Rui Aguiar, dirigente do Cancioneiro de Águeda
- Azambuja: Rancho de Vale do Paraíso com sede nova
- Coruche: Rancho “Os Camponeses” de Santana do Mato comemorou as Bodas de Ouro
- Grupo Folclórico de Castelo do Neiva comemorou aniversário com tarde de Folclore
- Grupo da Casa do Povo de Ceira comemorou 47.º aniversário
- Grupo da Casa do Povo de Santa Cruz do Bispo festejou 56 anos
- Rancho Folclórico de Canidelo vai assinalar o 30.º aniversário
- Folclore no 75.º aniversário da Casa do Povo de Vialonga
- Grupo Folclórico de Faro prepara comemoração do 79.º aniversário
- Camponeses do Mondego comemoraram aniversário
- Rancho da Casa do Povo de Aveiras de Cima distinguido em Palma de Maiorca
- “As Tecedeiras” de Bidoeira de Cima na Suíça
- Preito de honra e mérito do Rancho de Torredeita para Arcides Batista Simões
- Etnográfico Danças e Cantares do Minho ofereceu mais um Festival à cidade de Lisboa
- Folclore de qualidade no Festival no Bairro dos Arneiros, Caldas da Rainha
- “Sabores da Glória” levaram à mesa comeres dos casamentos
OPINIÃO
Folclore recreativo, histórico e cultural. Por Bertino Coelho Martins
SECÇÕES
* Esfinge - Sombrias perspectivas! Por Dr. Aurélio Lopes
* PORQUE NÃO TE CALAS?
*FOI NOTÍCIA… HÁ 13 ANOS
FESTIVAIS
Realizações no mês de Junho
NOVOS CORPOS GERENTES
Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores
CARTAS AO DIRECTOR
Peregrinação Nacional dos Ranchos Folclóricos
terça-feira, 5 de maio de 2009
JORNAL FOLCLORE
Rua Capelo e Ivens, 63 - 2000-039– SANTARÉM
Apartado 518 2000-906 SANTARÉM – Email: jornalfolclore@gmail.com
Telefone e Fax: 243 599 429 – TM 919126732
Bem-vindo ao Jornal Folclore on-line
A S S I N E
Subscreva a assinatura enviando o pedido ao
Apartado 518 – 2001-906 SANTARÉM
ou e-mail: jornalfolclore@gmail.com
ou preencha o cupão incerto neste blogue
Europa: 17,5 € * Europa: 20 € * Fora da Europa¨25 €
EDIÇÃO N.º 159 (MAIO 2009)
EDITORIAL
“Democratizar” o ensino da música
O primeiro ministro anunciou durante a inauguração do Conservatório de Música do Porto, em data recente, que o Governo está apostado em “democratizar” o ensino da música, alargando-o a “cada vez mais jovens”. José Sócrates estar-se-ia a referir ao ensino da música elitista, oferecido nos Conservatórios, que, aliás confirmou: “O Governo está a fazer um enorme investimento nos cinco conservatórios de música públicos, com a construção de raiz de novos edifícios para os do Porto e Coimbra e a modernização dos de Lisboa, Aveiro e Braga”. Se dúvidas houvesse elas foram desde logo eliminadas. Logo peca por falta de verdade a propalada “democratização” do ensino da música.
Fica por explicar a razão porque não chega a anunciada democratização do ensino musical a outros centros, como as inúmeras escolas de música que integram o movimento associativo cultural do País, e nomeadamente aquelas que estão no seio dos grupos de folclore? Estes espaços de aprendizagem, estando a formar milhares de novos músicos, constituem ao mesmo tempo lugares de sociabilidade e de convívio, que o Estado deveria reconhecer como centros de formação e de civilidade.
Parece-nos que também por aqui o Estado andará desatento.
NOTA EDITORIAL
O Dia Nacional do Folclore
A Federação do Folclore Português estabeleceu, de há uns anos a esta parte, o último domingo de Maio como o Dia Nacional do Folclore. Não se tendo verificado, nos últimos anos, a realização de iniciativas que de alguma forma assinalassem a data, regista-se com agrado a comemoração do Dia Nacional do Folclore este ano, com a realização de um evento festivo que decorrerá na cidade de Espinho.
A nível mundial o Dia do Folclore é assinalado em inúmeros países em Agosto. A iniciativa tem em vista homenagear o inglês William John Thoms, nascido a 22 de Agosto de 1846, criador da palavra “folclore”. No Brasil o Dia Nacional do Folclore é comemorado a 22 de Agosto, e foi instituído por um decreto federal em 1965. Em alguns estados brasileiros, a data é assinalada durante cerca de um mês, e Agosto é tido como o mês do folclore. Em todos os Estados brasileiros são desenvolvidas centenas de actividades à volta do folclore e nas Escolas e instituições são realizados vários trabalhos pedagógicos sobre o tema. A própria comunidade é particularmente envolvente em várias iniciativas de cariz popular. O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Rio de Janeiro, (uma estrutura administrativa do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura), sempre assinala especialmente o Dia Nacional do Folclore, com uma programação elaborada especialmente para a data.
Por cá, parece que as coisas querem sair da letargia dos anos anteriores, e alguma coisa vai acontecer para assinalar a data. O folclore português – o único no mundo que se representa imbuído na raiz tradicional – merecerá ser considerado no seu Dia Nacional, como acontece em muitas partes do mundo. Se não houver intenção de homenagear o arqueólogo inglês, que seja em tributo ao próprio folclore. E cabe à Federação do Folclore Português assumir qualquer iniciativa, ainda que de forma simbólica, promovendo a realização de eventos evocativos da data.
Espera-se que a manifestação do folclore nacional, que vai acontecer em Espinho no dia 31 de Maio, se revele importante e de excepcional impacto. E que possa servir, quanto mais não seja, para acordar as mentes adormecidas da nossa estrutura governamental.
DESTAQUES
62 ranchos dançam num mega Festival
Vila Franca de Xira recebe festa do folclore nacional
A cidade de Vila Franca de Xira é anfitriã de um grande encontro do folclore nacional. A típica cidade ribatejana recebe no dia 31 de Maio mais de sessenta grupos folclóricos, que rumarão de diversificadas regiões do País. A iniciativa tem o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e vai decorrer no Parque Urbano do Cevadeiro. A organização é do programa ‘O Povo a Cantar’, da Rádio Íris, emitido semanalmente aos domingos entre as 7 e as 13 horas.
O programa ‘O Povo a Cantar’ foi idealizado há quinze anos com o objectivo de divulgar a música folclórica gravada pelos inúmeros grupos da região da Lezíria ribatejana. Esse desígnio regional alargou-se nos últimos anos ao folclore de todo o País, fazendo ouvir o folclore de outras regiões, que extravasam as ondas da Íris. Também, por força das novas tecnologias, a emissão do programa passou a ter audição alargada, com ligação à Internet, contando a partir de então com audiência em inúmeras partes do País e do mundo.
Manuel João Barbosa
O Parque Urbano do Cevadeiro, em Vila Franca de Xira, junto à praça de Touros, vai engalanar-se no dia 31 de Maio para receber cerca de sessenta grupos folclóricos, representativos de variadas zonas etnográficas de todo o País. A iniciativa é do programa radiofónico ‘O Povo a Cantar’, que integra a programação da Rádio Íris, com estúdios em Samora Correia. É emitido semanalmente aos domingos, entre as 7 e as 13 horas.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Carga fiscal pode vir a abater-se sobre a actividade folclórica
Alguma sensibilidade dos trabalhadores da administração fiscal pelas precárias condições económicas do associativismo folclórico, tem feito esquecer o cumprimento das regras contributivas a que se obriga qualquer associação ou colectividade, cobradora de dinheiros por serviços prestados e bens comercializados, como a exploração de bares nos seus espaços sociais. Mas uma sedenta determinação da governança fiscal na cobrança de impostos pode vir a provocar uma verdadeira hecatombe nas magras finanças dos grupos de folclore.
Manuel João Barbosa
São vários os caminhos que poderão levar a administração fiscal à tributação de impostos aos grupos de folclore, enquanto associações cobradoras de serviços prestados (actuações remuneradas), recebedoras de subsídios oficiais e particulares e de bens comercializados (a exploração de bares). Quando acabar o estado de graça a que os diligentes oficiais contemplaram as associações folclóricas, muitas brechas vão ser abertas nos cofres dos grupos folclóricos, abatendo-se sobre os já parcos rendimentos que pingam a actividade cultural e social que desenvolvem.
(Desenvolvimento na edição impressa)
NOTÍCIAS
- Óscar Mundial do Folclore distingue duas personalidades de Portugal
- Nazaré: Festival do Rancho Tá-Mar” ao som do canto das ondas
- Tarde de folclore animou Festas de Constância
- Bolo de Ançã em processo de certificação e registo da marca
- Rancho de Fânzeres comemorou o 30.º aniversário
- Gastronomia popular da Glória do Ribatejo regala com os petiscos de antigamente
- Rancho Tradicional de Cinfães divulga actividades
- Rancho Típico de Alvorge festejou as Bodas de Prata
- Festival de folclore Ibérico em Andorra
- Grupo Etnográfico de Lorvão comemora aniversário
- Mindelo vai receber Encontro de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio
- Grupo Folclórico Santo André de Lever em França
- Grupo de Galegos Santa Maria recebeu instrumentos musicais
- Etnográfico de Macinhata do Vouga vai comemorar 20.º aniversário
- Algueirão: Grupo As Florinhas do Alto Minho organizam Festival de Tocadores de Concertina
- Tocadores de concertina e cantadores ao desafio em Santa Maria da Feira
- Encontro de Cantares da Quaresma em Cantanhede reuniu grupos populares da região
- Os Martírios de Cristo foram revividos na Boidobra
- Arzila ouviu cantar “Os Martírios do Senhor”
- Michel Giacometti, o etnomusicólogo quase esquecido
- Festa do Folclore do Minho mostra-se em Lisboa
- Exposição Nacional do Trajo ao Vivo é dia 16 de Maio em Tomar
- Dia Nacional do Folclore Português comemora-se em Espinho no dia 31 de Maio
- Rancho Folclórico da Correlhã com novo espaço social
- Arraial de folclore festeja aniversário do Grupo Etnográfico de Alverca
- Feira dos Lázaros, em Coimbra, promoveu a doçaria tradicional
- Grupo Etnográfico da Região de Coimbra recriou a Festa da Arrufada
- Grupo Regional de Moreira da Maia prepara comemorações das Bodas de Diamante
- Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela assinala 75.º aniversário
- Santarém: Centro Nacional de Exposições recebe o folclore nacional
- Coruche: Rancho da Fajarda organizou noite de Fado e Fandango
- Espectáculo de música popular em Mourisca do Vouga
OPINIÃO
A nós o que é nosso...mas reinventando
SECÇÕES
Inovação / Tradição - Festivais, fonte de receita – Por: Eng. Manuel Farias
FESTIVAIS
Realizações no mês de Maio
CORPOS GERENTES
- Rancho Folclórico do Vale de Santarém
- Associação Grupo dos Amigos de Loulé - Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé
CARTAS AO DIRECTOR
PORQUE NÃO TE CALAS?
FOI NOTÍCIA… HÁ 13 ANOS
Rua Capelo e Ivens, 63 - 2000-039– SANTARÉM
Apartado 518 2000-906 SANTARÉM – Email: jornalfolclore@gmail.com
Telefone e Fax: 243 599 429 – TM 919126732
Bem-vindo ao Jornal Folclore on-line
A S S I N E
Subscreva a assinatura enviando o pedido ao
Apartado 518 – 2001-906 SANTARÉM
ou e-mail: jornalfolclore@gmail.com
ou preencha o cupão incerto neste blogue
Europa: 17,5 € * Europa: 20 € * Fora da Europa¨25 €
EDIÇÃO N.º 159 (MAIO 2009)
EDITORIAL
“Democratizar” o ensino da música
O primeiro ministro anunciou durante a inauguração do Conservatório de Música do Porto, em data recente, que o Governo está apostado em “democratizar” o ensino da música, alargando-o a “cada vez mais jovens”. José Sócrates estar-se-ia a referir ao ensino da música elitista, oferecido nos Conservatórios, que, aliás confirmou: “O Governo está a fazer um enorme investimento nos cinco conservatórios de música públicos, com a construção de raiz de novos edifícios para os do Porto e Coimbra e a modernização dos de Lisboa, Aveiro e Braga”. Se dúvidas houvesse elas foram desde logo eliminadas. Logo peca por falta de verdade a propalada “democratização” do ensino da música.
Fica por explicar a razão porque não chega a anunciada democratização do ensino musical a outros centros, como as inúmeras escolas de música que integram o movimento associativo cultural do País, e nomeadamente aquelas que estão no seio dos grupos de folclore? Estes espaços de aprendizagem, estando a formar milhares de novos músicos, constituem ao mesmo tempo lugares de sociabilidade e de convívio, que o Estado deveria reconhecer como centros de formação e de civilidade.
Parece-nos que também por aqui o Estado andará desatento.
NOTA EDITORIAL
O Dia Nacional do Folclore
A Federação do Folclore Português estabeleceu, de há uns anos a esta parte, o último domingo de Maio como o Dia Nacional do Folclore. Não se tendo verificado, nos últimos anos, a realização de iniciativas que de alguma forma assinalassem a data, regista-se com agrado a comemoração do Dia Nacional do Folclore este ano, com a realização de um evento festivo que decorrerá na cidade de Espinho.
A nível mundial o Dia do Folclore é assinalado em inúmeros países em Agosto. A iniciativa tem em vista homenagear o inglês William John Thoms, nascido a 22 de Agosto de 1846, criador da palavra “folclore”. No Brasil o Dia Nacional do Folclore é comemorado a 22 de Agosto, e foi instituído por um decreto federal em 1965. Em alguns estados brasileiros, a data é assinalada durante cerca de um mês, e Agosto é tido como o mês do folclore. Em todos os Estados brasileiros são desenvolvidas centenas de actividades à volta do folclore e nas Escolas e instituições são realizados vários trabalhos pedagógicos sobre o tema. A própria comunidade é particularmente envolvente em várias iniciativas de cariz popular. O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Rio de Janeiro, (uma estrutura administrativa do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura), sempre assinala especialmente o Dia Nacional do Folclore, com uma programação elaborada especialmente para a data.
Por cá, parece que as coisas querem sair da letargia dos anos anteriores, e alguma coisa vai acontecer para assinalar a data. O folclore português – o único no mundo que se representa imbuído na raiz tradicional – merecerá ser considerado no seu Dia Nacional, como acontece em muitas partes do mundo. Se não houver intenção de homenagear o arqueólogo inglês, que seja em tributo ao próprio folclore. E cabe à Federação do Folclore Português assumir qualquer iniciativa, ainda que de forma simbólica, promovendo a realização de eventos evocativos da data.
Espera-se que a manifestação do folclore nacional, que vai acontecer em Espinho no dia 31 de Maio, se revele importante e de excepcional impacto. E que possa servir, quanto mais não seja, para acordar as mentes adormecidas da nossa estrutura governamental.
DESTAQUES
62 ranchos dançam num mega Festival
Vila Franca de Xira recebe festa do folclore nacional
A cidade de Vila Franca de Xira é anfitriã de um grande encontro do folclore nacional. A típica cidade ribatejana recebe no dia 31 de Maio mais de sessenta grupos folclóricos, que rumarão de diversificadas regiões do País. A iniciativa tem o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e vai decorrer no Parque Urbano do Cevadeiro. A organização é do programa ‘O Povo a Cantar’, da Rádio Íris, emitido semanalmente aos domingos entre as 7 e as 13 horas.
O programa ‘O Povo a Cantar’ foi idealizado há quinze anos com o objectivo de divulgar a música folclórica gravada pelos inúmeros grupos da região da Lezíria ribatejana. Esse desígnio regional alargou-se nos últimos anos ao folclore de todo o País, fazendo ouvir o folclore de outras regiões, que extravasam as ondas da Íris. Também, por força das novas tecnologias, a emissão do programa passou a ter audição alargada, com ligação à Internet, contando a partir de então com audiência em inúmeras partes do País e do mundo.
Manuel João Barbosa
O Parque Urbano do Cevadeiro, em Vila Franca de Xira, junto à praça de Touros, vai engalanar-se no dia 31 de Maio para receber cerca de sessenta grupos folclóricos, representativos de variadas zonas etnográficas de todo o País. A iniciativa é do programa radiofónico ‘O Povo a Cantar’, que integra a programação da Rádio Íris, com estúdios em Samora Correia. É emitido semanalmente aos domingos, entre as 7 e as 13 horas.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Carga fiscal pode vir a abater-se sobre a actividade folclórica
Alguma sensibilidade dos trabalhadores da administração fiscal pelas precárias condições económicas do associativismo folclórico, tem feito esquecer o cumprimento das regras contributivas a que se obriga qualquer associação ou colectividade, cobradora de dinheiros por serviços prestados e bens comercializados, como a exploração de bares nos seus espaços sociais. Mas uma sedenta determinação da governança fiscal na cobrança de impostos pode vir a provocar uma verdadeira hecatombe nas magras finanças dos grupos de folclore.
Manuel João Barbosa
São vários os caminhos que poderão levar a administração fiscal à tributação de impostos aos grupos de folclore, enquanto associações cobradoras de serviços prestados (actuações remuneradas), recebedoras de subsídios oficiais e particulares e de bens comercializados (a exploração de bares). Quando acabar o estado de graça a que os diligentes oficiais contemplaram as associações folclóricas, muitas brechas vão ser abertas nos cofres dos grupos folclóricos, abatendo-se sobre os já parcos rendimentos que pingam a actividade cultural e social que desenvolvem.
(Desenvolvimento na edição impressa)
NOTÍCIAS
- Óscar Mundial do Folclore distingue duas personalidades de Portugal
- Nazaré: Festival do Rancho Tá-Mar” ao som do canto das ondas
- Tarde de folclore animou Festas de Constância
- Bolo de Ançã em processo de certificação e registo da marca
- Rancho de Fânzeres comemorou o 30.º aniversário
- Gastronomia popular da Glória do Ribatejo regala com os petiscos de antigamente
- Rancho Tradicional de Cinfães divulga actividades
- Rancho Típico de Alvorge festejou as Bodas de Prata
- Festival de folclore Ibérico em Andorra
- Grupo Etnográfico de Lorvão comemora aniversário
- Mindelo vai receber Encontro de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio
- Grupo Folclórico Santo André de Lever em França
- Grupo de Galegos Santa Maria recebeu instrumentos musicais
- Etnográfico de Macinhata do Vouga vai comemorar 20.º aniversário
- Algueirão: Grupo As Florinhas do Alto Minho organizam Festival de Tocadores de Concertina
- Tocadores de concertina e cantadores ao desafio em Santa Maria da Feira
- Encontro de Cantares da Quaresma em Cantanhede reuniu grupos populares da região
- Os Martírios de Cristo foram revividos na Boidobra
- Arzila ouviu cantar “Os Martírios do Senhor”
- Michel Giacometti, o etnomusicólogo quase esquecido
- Festa do Folclore do Minho mostra-se em Lisboa
- Exposição Nacional do Trajo ao Vivo é dia 16 de Maio em Tomar
- Dia Nacional do Folclore Português comemora-se em Espinho no dia 31 de Maio
- Rancho Folclórico da Correlhã com novo espaço social
- Arraial de folclore festeja aniversário do Grupo Etnográfico de Alverca
- Feira dos Lázaros, em Coimbra, promoveu a doçaria tradicional
- Grupo Etnográfico da Região de Coimbra recriou a Festa da Arrufada
- Grupo Regional de Moreira da Maia prepara comemorações das Bodas de Diamante
- Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela assinala 75.º aniversário
- Santarém: Centro Nacional de Exposições recebe o folclore nacional
- Coruche: Rancho da Fajarda organizou noite de Fado e Fandango
- Espectáculo de música popular em Mourisca do Vouga
OPINIÃO
A nós o que é nosso...mas reinventando
SECÇÕES
Inovação / Tradição - Festivais, fonte de receita – Por: Eng. Manuel Farias
FESTIVAIS
Realizações no mês de Maio
CORPOS GERENTES
- Rancho Folclórico do Vale de Santarém
- Associação Grupo dos Amigos de Loulé - Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé
CARTAS AO DIRECTOR
PORQUE NÃO TE CALAS?
FOI NOTÍCIA… HÁ 13 ANOS
terça-feira, 31 de março de 2009
TITULOS DA EDIÇÃO DE ABRIL
JORNAL FOLCLORE
Rua Capelo e Ivens, 63 - 2000-039– SANTARÉM
Apartado 518 2000-906 SANTARÉM – Email: jornalfolclore@gmail.com
Telefones: 243 599 429 – TM 919126732 – Fax: 243 509 464
Bem-vindo ao Jornal Folclore on-line
A S S I N E
Subscreva a assinatura enviando o pedido ao
Apartado 518 – 2001-906 SANTARÉM
ou e-mail: jornalfolclore@gmail.com
ou preencha o cupão incerto neste blogue
Europa: 17,5 € * Europa: 20 € * Fora da Europa¨25 €
EDIÇÃO N.º 158 (ABRIL 2009)
EDITORIAL
A ajuda francesa
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou recentemente medidas estruturais para reformar e modernizar a imprensa escrita, que atravessa graves dificuldades. O presidente anunciou que será oferecida a assinatura gratuita de jornais impressos (diários ou não) aos jovens franceses de 18 anos. O objectivo é criar nos mais novos hábitos de leitura. Os apoios estão orçamentados em 200 milhões de euros/ano.
As ajudas financeiras à imprensa escrita que o Governo francês acaba de anunciar, trazem alguma esperança a boa parte dos jornais, que a conjuntura arrastou para uma gravíssima situação económica. É conhecida a débil situação financeira da imprensa, até dos grandes grupos editores, trazida por circunstâncias várias, da limitação de publicidade à quebra de vendas.
Por cá, mantém-se o alheamento às dificuldades que a imprensa atravessa. As publicações definham e agravam dia a dia uma já precária existência. As ajudas estatais ao porte dos Correios para os jornais vendidos por assinatura reduzem-se cada ano. E caminham para a extinção total. Sem as ajudas aos portes, o custo da assinatura terá de sofrer inevitáveis agravamentos, que a seu tempo se tornarão insuportáveis para o subscritor.
Em devido tempo o governo anunciou a oferta de assinaturas às Associações portuguesas sedeadas no estrangeiro, e foram várias as que subscreveram a assinatura do Jornal Folclore. Mas foi sol de pouca dura. Até esse pequeno apoio se esfumou.
O Director
NOTA EDITORIAL
O número certo
Inventariámos – uma vez mais – o movimento folclórico nacional. Concluiu-se que o número de grupos e ranchos de folclore em actividade no País – continente e Ilhas – continua a não ultrapassar muito os mil e setecentos grupos. Recordemos que em 2002 fizemos o primeiro inventário com o absoluto rigor dos números, tendo para tal o indispensável apoio das câmaras municipais do território nacional. O número encontrado foi de 1.717 grupos. Na altura propalava-se que existiriam em Portugal cerca de três mil agrupamentos. O número terá saído de uma sondagem da Universidade Nova de Lisboa, onde se terá concluído da existência de tão expressiva quantidade de formações folclóricas. Ao que apurámos, a pesquisa da instituição universitária terá incluído no rol uma significativa lista de conjuntos de cariz recreativo, que não apenas grupos de expressão tradicional (folclóricos).
Um novo percurso por todas as autarquias do País, realizado entre Janeiro e Março, confirmou o número encontrado em 2002, com ligeiras alterações nalguns concelhos e mais acentuadas noutros. Entre as novas formações e as que cessaram a actividade, o total encontrado agora – 1744 – não difere substancialmente daquele que encontrámos sete anos atrás.
Continuamos a ser o País do mundo onde a actividade folclórica se desenvolve mais intensamente. O rectângulo nacional e as suas Ilhas Insulares da Madeira e dos Açores, superam em muito o número de agrupamentos existentes em países com uma superfície incomensuravelmente maior. Os benefícios para a representação de tão desmedida quantidade de grupos e ranchos de folclore estão ainda por apurar. Mas sempre adiantamos que o benefício para o grande movimento seria superior se houvesse um maior entendimento do papel que cabe desempenhar a um grupo folclórico. Convenhamos que a retratação dos aspectos culturais tradicionais continua sobremaneira mal compreendida pelos responsáveis de uma parte dos grupos activos. Nalguns casos os factos folclóricos – aquilo que foi usual entre as comunidades num tempo necessariamente recuado – passam ao lado do trabalho que alguns grupos mostram, porque sempre descuidaram as necessárias acções de recolha dos elementos-base que obrigatoriamente devem estar presentes na formação do conjunto, se se quer representativo do seu folclore.
O Director
DESTAQUES
Recenseámos o movimento folclórico nacional
A mancha folclórica do País
Mil setecentos e quarenta grupos e ranchos de folclore constituem o universo da representação folclórica nacional
A mancha folclórica do País está uma vez mais delineada pelo trabalho acabado de desenvolver pelo nosso Jornal, que decorreu ao longo dos primeiros meses do corrente ano. Em 2002 trouxemos a mesma realidade às páginas do jornal, resultado de um idêntico trabalho. Para a realização do presente levantamento, foram inquiridas todas as câmaras municipais do País, que nos deram informação dos grupos etnográficos em actividade nos seus concelhos. Está desta forma actualizada mancha da representação folclórica nacional. Há no País mais 35 novos grupos, relativamente a 2002.
Um inquérito acabado de realizar pelo nosso Jornal junto de todas as autarquias do país, conclui que estão em actividade, em todo o território nacional, 1.744 grupos e ranchos de folclore. Entre Janeiro e Março realizámos um inquérito nacional para apurar a exacta realidade do movimento folclórico em todo o país. Concluímos assim que o número de grupos e ranchos de folclore, incluindo os grupos corais tradicionais, não chega aos dois milhares, contrariando os números inflacionados, que sempre apontam para cerca de três mil grupos. A realidade uma vez mais dá-nos conta de um número bastante inferior.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Por: Manuel João Barbosa
REPORTAGENS
- Salvaguarda e valorização do património cultural popular. Seminário na Golegã tratou de etnografia e comunicação
O CESPOGA – Centro de Estudos Politécnicos da Golegã, promoveu na Golegã um Seminário sobre a investigação etnográfica e comunicação. “Abordar de forma preliminar uma matéria de interesse cultural que, indiscutivelmente, possui implicações no modelo de desenvolvimento local e regional” foi o objectivo da iniciativa dos promotores. Estudiosos desenvolveram a temática sobre os “conceitos do folclore, da cultura, investigação e desenvolvimento” situando-os no “contexto da própria área regional onde a acção teve lugar”.
“Ligar a Cultura Popular e o Folclore à Academia; Incentivar a produção e divulgação do conhecimento sobre o Folclore e criar uma linha de trabalho sobre Folclore na Oficina de Cultura Popular” afecta ao Centro de Estudos Politécnicos da Golegã (CESPOGA), foram os objectivos que presidiram à realização do Seminário que decorreu no dia 20 de Março, na Golegã. Sobre o tema “Investigação Etnográfica e Comunicação”, a iniciativa rodeou-se de propósitos bem definidos sobre a “abordagem a uma matéria de interesse cultural”, como é a cultura popular e o Folclore.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Por: Manuel João Barbosa
Glória do Ribatejo homenageou os últimos cingeleiros
Ouvir histórias de vidas, para memória futura
Eram à volta de trezentos os cingeleiros da Glória do Ribatejo na década de cinquenta. Agrários que trabalhavam por conta própria, donos de juntas de vacas e carros que laboravam nas lavra das terras, nas sementeiras e no transporte de lenha e cortiça, desde o Alentejo até ao rio Tejo. Chamavam-lhes por isso, o “comboio da Glória”. E dizia-se que “conheciam o mundo”, porque “iam à borda do mar” (margem do Tejo). Os últimos cingeleiros vivos da Glória foram homenageados pelo Rancho da Casa do Povo local, que aproveitando o tributo aos seus rurais, registou algumas histórias das suas vidas, tidas como “documentos inestimáveis da história de um povo”, segundo a Dr.ª Rita Pote, dirigente do rancho organizador da iniciativa.
A uma junta de bois chamavam-lhe “cingel”. Daí o seu dono ser designado por “cingeleiro”. Os cingeleiros constituíram um agregado especial entre a comunidade gloriana, como afirma Rita Pote, pesquisadora dos aspectos culturais e tradicionais da Glória do Ribatejo, onde nasceu e vive.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Por: Manuel João Barbosa
Rancho da Golegã encenou um interessante espectáculo de Fados e Fadinhos
NOTÍCIAS
- Rancho Ceifeiras e Campinos de Azambuja comemora 52 anos em festa pública
- Rancho do Cartaxo promove ‘Noite Castiça’
- Rancho Luz dos Candeeiros lança novo CD e organiza jantar-convívio
- Festival assinalou 51 anos do Rancho “Fazendeiros de Montemor-o-Novo”
- Etnográfico Danças e Cantares do Minho confraternizou num restaurante em Coruche
- Adufeiras de Monsanto no Encontro de Tocadores “Tocar de Ouvido” que decorre em Évora
- Rancho de Benfica do Ribatejo comemora aniversário com folclore de Timor e Angola
- O traje tradicional em exposição no Museu Municipal de Mafra
- Fundação INATEL contempla 630 Centros de Cultura e Desporto
- Associação de Santo Tirso promove oficinas de música, canto e instrumentos tradicionais
- Em Arzila reviveu-se o “Serramento da Velha”
- Rancho Folclórico de Godim arrancou com escola de música
- Brasil: folclore no programa de apoio à cultura popular
- Serão de Cultura Popular em Coimbra Integrado na Semana Cultural da Universidade
- Malhada do Milho em Vilar do Paraíso
- Casa do Minho organiza Pascoela e Encontro de Tocadores de Concertinas
OPINIÃO
- Os jovens no folclore e na etnografia. Pelo Dr. Mário Nunes
- Dançar em meias. Por João Moreira
SECÇÕES:
Inovação / Tradição
Identidade – a personalidade dos povos . Pelo Engº. Manuel Farias
Esfinge
O sindroma da ignorância - Pelo Dr. Aurélio Lopes
Foi notícia… este mês, há treze anos
FESTIVAIS
DISCOGRAFIA
CARTAS AO DIRECTOR
“Informação positiva, que nos ensine…”
PORQUE NÃO TE CALAS?
PLANOS DE ACTIVIDADE
Rua Capelo e Ivens, 63 - 2000-039– SANTARÉM
Apartado 518 2000-906 SANTARÉM – Email: jornalfolclore@gmail.com
Telefones: 243 599 429 – TM 919126732 – Fax: 243 509 464
Bem-vindo ao Jornal Folclore on-line
A S S I N E
Subscreva a assinatura enviando o pedido ao
Apartado 518 – 2001-906 SANTARÉM
ou e-mail: jornalfolclore@gmail.com
ou preencha o cupão incerto neste blogue
Europa: 17,5 € * Europa: 20 € * Fora da Europa¨25 €
EDIÇÃO N.º 158 (ABRIL 2009)
EDITORIAL
A ajuda francesa
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou recentemente medidas estruturais para reformar e modernizar a imprensa escrita, que atravessa graves dificuldades. O presidente anunciou que será oferecida a assinatura gratuita de jornais impressos (diários ou não) aos jovens franceses de 18 anos. O objectivo é criar nos mais novos hábitos de leitura. Os apoios estão orçamentados em 200 milhões de euros/ano.
As ajudas financeiras à imprensa escrita que o Governo francês acaba de anunciar, trazem alguma esperança a boa parte dos jornais, que a conjuntura arrastou para uma gravíssima situação económica. É conhecida a débil situação financeira da imprensa, até dos grandes grupos editores, trazida por circunstâncias várias, da limitação de publicidade à quebra de vendas.
Por cá, mantém-se o alheamento às dificuldades que a imprensa atravessa. As publicações definham e agravam dia a dia uma já precária existência. As ajudas estatais ao porte dos Correios para os jornais vendidos por assinatura reduzem-se cada ano. E caminham para a extinção total. Sem as ajudas aos portes, o custo da assinatura terá de sofrer inevitáveis agravamentos, que a seu tempo se tornarão insuportáveis para o subscritor.
Em devido tempo o governo anunciou a oferta de assinaturas às Associações portuguesas sedeadas no estrangeiro, e foram várias as que subscreveram a assinatura do Jornal Folclore. Mas foi sol de pouca dura. Até esse pequeno apoio se esfumou.
O Director
NOTA EDITORIAL
O número certo
Inventariámos – uma vez mais – o movimento folclórico nacional. Concluiu-se que o número de grupos e ranchos de folclore em actividade no País – continente e Ilhas – continua a não ultrapassar muito os mil e setecentos grupos. Recordemos que em 2002 fizemos o primeiro inventário com o absoluto rigor dos números, tendo para tal o indispensável apoio das câmaras municipais do território nacional. O número encontrado foi de 1.717 grupos. Na altura propalava-se que existiriam em Portugal cerca de três mil agrupamentos. O número terá saído de uma sondagem da Universidade Nova de Lisboa, onde se terá concluído da existência de tão expressiva quantidade de formações folclóricas. Ao que apurámos, a pesquisa da instituição universitária terá incluído no rol uma significativa lista de conjuntos de cariz recreativo, que não apenas grupos de expressão tradicional (folclóricos).
Um novo percurso por todas as autarquias do País, realizado entre Janeiro e Março, confirmou o número encontrado em 2002, com ligeiras alterações nalguns concelhos e mais acentuadas noutros. Entre as novas formações e as que cessaram a actividade, o total encontrado agora – 1744 – não difere substancialmente daquele que encontrámos sete anos atrás.
Continuamos a ser o País do mundo onde a actividade folclórica se desenvolve mais intensamente. O rectângulo nacional e as suas Ilhas Insulares da Madeira e dos Açores, superam em muito o número de agrupamentos existentes em países com uma superfície incomensuravelmente maior. Os benefícios para a representação de tão desmedida quantidade de grupos e ranchos de folclore estão ainda por apurar. Mas sempre adiantamos que o benefício para o grande movimento seria superior se houvesse um maior entendimento do papel que cabe desempenhar a um grupo folclórico. Convenhamos que a retratação dos aspectos culturais tradicionais continua sobremaneira mal compreendida pelos responsáveis de uma parte dos grupos activos. Nalguns casos os factos folclóricos – aquilo que foi usual entre as comunidades num tempo necessariamente recuado – passam ao lado do trabalho que alguns grupos mostram, porque sempre descuidaram as necessárias acções de recolha dos elementos-base que obrigatoriamente devem estar presentes na formação do conjunto, se se quer representativo do seu folclore.
O Director
DESTAQUES
Recenseámos o movimento folclórico nacional
A mancha folclórica do País
Mil setecentos e quarenta grupos e ranchos de folclore constituem o universo da representação folclórica nacional
A mancha folclórica do País está uma vez mais delineada pelo trabalho acabado de desenvolver pelo nosso Jornal, que decorreu ao longo dos primeiros meses do corrente ano. Em 2002 trouxemos a mesma realidade às páginas do jornal, resultado de um idêntico trabalho. Para a realização do presente levantamento, foram inquiridas todas as câmaras municipais do País, que nos deram informação dos grupos etnográficos em actividade nos seus concelhos. Está desta forma actualizada mancha da representação folclórica nacional. Há no País mais 35 novos grupos, relativamente a 2002.
Um inquérito acabado de realizar pelo nosso Jornal junto de todas as autarquias do país, conclui que estão em actividade, em todo o território nacional, 1.744 grupos e ranchos de folclore. Entre Janeiro e Março realizámos um inquérito nacional para apurar a exacta realidade do movimento folclórico em todo o país. Concluímos assim que o número de grupos e ranchos de folclore, incluindo os grupos corais tradicionais, não chega aos dois milhares, contrariando os números inflacionados, que sempre apontam para cerca de três mil grupos. A realidade uma vez mais dá-nos conta de um número bastante inferior.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Por: Manuel João Barbosa
REPORTAGENS
- Salvaguarda e valorização do património cultural popular. Seminário na Golegã tratou de etnografia e comunicação
O CESPOGA – Centro de Estudos Politécnicos da Golegã, promoveu na Golegã um Seminário sobre a investigação etnográfica e comunicação. “Abordar de forma preliminar uma matéria de interesse cultural que, indiscutivelmente, possui implicações no modelo de desenvolvimento local e regional” foi o objectivo da iniciativa dos promotores. Estudiosos desenvolveram a temática sobre os “conceitos do folclore, da cultura, investigação e desenvolvimento” situando-os no “contexto da própria área regional onde a acção teve lugar”.
“Ligar a Cultura Popular e o Folclore à Academia; Incentivar a produção e divulgação do conhecimento sobre o Folclore e criar uma linha de trabalho sobre Folclore na Oficina de Cultura Popular” afecta ao Centro de Estudos Politécnicos da Golegã (CESPOGA), foram os objectivos que presidiram à realização do Seminário que decorreu no dia 20 de Março, na Golegã. Sobre o tema “Investigação Etnográfica e Comunicação”, a iniciativa rodeou-se de propósitos bem definidos sobre a “abordagem a uma matéria de interesse cultural”, como é a cultura popular e o Folclore.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Por: Manuel João Barbosa
Glória do Ribatejo homenageou os últimos cingeleiros
Ouvir histórias de vidas, para memória futura
Eram à volta de trezentos os cingeleiros da Glória do Ribatejo na década de cinquenta. Agrários que trabalhavam por conta própria, donos de juntas de vacas e carros que laboravam nas lavra das terras, nas sementeiras e no transporte de lenha e cortiça, desde o Alentejo até ao rio Tejo. Chamavam-lhes por isso, o “comboio da Glória”. E dizia-se que “conheciam o mundo”, porque “iam à borda do mar” (margem do Tejo). Os últimos cingeleiros vivos da Glória foram homenageados pelo Rancho da Casa do Povo local, que aproveitando o tributo aos seus rurais, registou algumas histórias das suas vidas, tidas como “documentos inestimáveis da história de um povo”, segundo a Dr.ª Rita Pote, dirigente do rancho organizador da iniciativa.
A uma junta de bois chamavam-lhe “cingel”. Daí o seu dono ser designado por “cingeleiro”. Os cingeleiros constituíram um agregado especial entre a comunidade gloriana, como afirma Rita Pote, pesquisadora dos aspectos culturais e tradicionais da Glória do Ribatejo, onde nasceu e vive.
(Desenvolvimento na edição impressa)
Por: Manuel João Barbosa
Rancho da Golegã encenou um interessante espectáculo de Fados e Fadinhos
NOTÍCIAS
- Rancho Ceifeiras e Campinos de Azambuja comemora 52 anos em festa pública
- Rancho do Cartaxo promove ‘Noite Castiça’
- Rancho Luz dos Candeeiros lança novo CD e organiza jantar-convívio
- Festival assinalou 51 anos do Rancho “Fazendeiros de Montemor-o-Novo”
- Etnográfico Danças e Cantares do Minho confraternizou num restaurante em Coruche
- Adufeiras de Monsanto no Encontro de Tocadores “Tocar de Ouvido” que decorre em Évora
- Rancho de Benfica do Ribatejo comemora aniversário com folclore de Timor e Angola
- O traje tradicional em exposição no Museu Municipal de Mafra
- Fundação INATEL contempla 630 Centros de Cultura e Desporto
- Associação de Santo Tirso promove oficinas de música, canto e instrumentos tradicionais
- Em Arzila reviveu-se o “Serramento da Velha”
- Rancho Folclórico de Godim arrancou com escola de música
- Brasil: folclore no programa de apoio à cultura popular
- Serão de Cultura Popular em Coimbra Integrado na Semana Cultural da Universidade
- Malhada do Milho em Vilar do Paraíso
- Casa do Minho organiza Pascoela e Encontro de Tocadores de Concertinas
OPINIÃO
- Os jovens no folclore e na etnografia. Pelo Dr. Mário Nunes
- Dançar em meias. Por João Moreira
SECÇÕES:
Inovação / Tradição
Identidade – a personalidade dos povos . Pelo Engº. Manuel Farias
Esfinge
O sindroma da ignorância - Pelo Dr. Aurélio Lopes
Foi notícia… este mês, há treze anos
FESTIVAIS
DISCOGRAFIA
CARTAS AO DIRECTOR
“Informação positiva, que nos ensine…”
PORQUE NÃO TE CALAS?
PLANOS DE ACTIVIDADE
Subscrever:
Mensagens (Atom)



